Com a abertura das urnas, teve início às 8h locais (9h de Brasília) o aguardado plebiscito que decidirá sobre a tripartição do Estado do Pará. Até as 17h, os quase cinco milhões de eleitores paraenses precisam se dirigir aos locais de votação e optar, separadamente, pela criação ou não dos Estados de Tapajós e Carajás.
Em Belém, a movimentação era intensa desde cedo. Já por volta das 6h30, eleitores formavam filas em diversos centro eleitorais da capital paraense. Na escola Antônio Paes da Silva, no bairro Juruna, Maria Jurandir Duarte dos Santos, 77, foi umas das primeiras a chegar. Já sem a obrigação do voto, Maria fez questão de comparecer às urnas e dizer não à divisão. "Niguém vai dar o Pará para estranhos", resumiu a eleitora, que tratou de sair cedo da votação para cuidar do almoço na sua casa, onde será servido um frango assado.
Na frente da mesma sessão, Marcelo Santos Sampaio, 20, decidiu aproveitar o pleito para aumentar os lucros do seu negócio. Vendedor de balas na entrada da escola, Marcelo, morador de Barcarena, município dos arredores de Belém, abdicará da sua participação no plebiscito para aproveitar o movimento dos eleitores. Como o voto é obrigatório para todos os eleitores do Estado, Marcelo terá de justificar a ausência.
Os eleitores dão o voto de modo independente para cada uma das novas eventuais unidades federativas. Tapajós, no oeste do Pará, ficaria com 59% da área do atual estado, dividida em 27 municípios, com população total de 1,2 milhão de habitantes. O novo estado nasceria com Produto Interno Bruto (PIB) de R$ 6,4 bilhões e seria o mais verde da trinca.
Já Carajás, ao sul, teria com 39 municípios, 24% do atual território do Pará e 1,5 milhão de habitantes. Polo de exploração mineral de ferro e cobre, o novo estado teria PIB de R$ 19,6 bilhões, mas já nasceria com alguns dos piores indicadores sociais do país. A região de Carajás concentra os maiores índices de violência no campo e registros de trabalho escravo do estado.
No caso da tripartição, o Pará remanescente ficaria com apenas 17% do tamanho atual, embora concentrasse maior número de municípios (78) e 4,5 milhões de habitantes. Também teria o maior PIB entre os três estados atingindo R$ 32,5 bilhões.
Os defensores da divisão argumentam que o Pará é um Estado grande demais, cuja extensão prejudica a atenção às áreas mais distantes de Belém. Também argumenta-se ser o Pará um Estado culturamente pouco uniforme, de modo que a nova formatação da região faria jus a diferenças históricas.
Os críticos, por sua vez, defendem que novos Estados levariam a novos custos e, eventualmente, a governos deficitários. Segundo um levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Carajás teria déficit de pelo menos R$ 1 bilhão anual; Tapajós, de R$ 864 milhões; e o Pará remanescente, de R$ 850 milhões.
Até o momento, o plebiscito ocorre sem incidentes. Assim como ocorre nos demais processos eleitorais, a boca de urna é proibida e o eleitor só pode revelar sua escolha pelo uso de bandeiras, broches e adesivos. Fica proibido o uso de alto-falantes e amplificadores de som, a promoção de comício ou carreata, a arregimentação de eleitor e a divulgação de qualquer espécie de propaganda das frentes contrárias e favoráveis à divisão do Pará.
O resultado da votação será encaminhado pela Justiça Eleitoral ao Congresso, que deliberará sobre a criação dos novos Estados por meio de Lei Complementar. Entretanto, no caso de a população opinar pela não criação do Estado, o processo é encerrado.
Com informações da Agência Brasil.
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