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terça-feira, 13 de setembro de 2011

Cracolândia cerca obras do PAC no Rio de Janeiro

Numa das regiões mais perigosas do Rio de Janeiro, conhecida como Faixa de Gaza, em Manguinhos, zona norte, o canteiro de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) está cercado pelo crack. No local, homens, mulheres e até crianças passam o dia se drogando e perambulando pelo local.
Encurralados, operários do (PAC) ainda são obrigados a conviver com o vaivém de traficantes armados, que circulam exibindo fuzis e pistolas. A facilidade de se conseguir a droga, que pode ser comprada por apenas R$ 2, também já levou trabalhadores da obra a experimentar o crack.
Durante três semanas, equipe de jornal O Dia acompanhou a rotina no canteiro de obras é construído um elevado para passar uma linha de trem, entre as estações de Manguinhos e Bonsucesso. Com uma microcâmera, foi possível caminhar pelo local, alvo de operação da Polícia Militar na sexta-feira. Os trabalhos no canteiro tiveram que ser interrompidos por causa do intenso tiroteio.
Conforto no ponto de venda
Seguindo os passos dos viciados foi possível descobrir uma boca de fumo, instalada a poucos metros da estação de trem de Manguinhos. No local, como prova da ousadia dos criminosos, eles colocaram até um sofá para garantir a comodidade dos traficantes que trabalham na boca.
Jogados na linha férrea, sob o efeito devastador do crack, os viciados desafiam a morte. Sem se dar conta do risco de serem atropelados pelos trens, alguns chegam a sentar nos trilhos para consumir a droga.
Nem a aproximação das composições intimida os dependentes. Diante do aviso desesperado dos maquinistas dos trens por meio de buzinas, eles se limitam a moverem-se apenas alguns centímetros, enquanto aguardam a passagem das composições. Em seguida, voltam ao lugar e continuam a se drogar com naturalidade. A presença de estranhos também não intimida viciados.
Frequentadores assíduos do local, alguns usuários do crack improvisam até barracos de madeira, montados às margens da linha férrea. Em outro ponto da cracolândia de Manguinhos, viciados dormem em colchões e até jogados no chão, em meio ao lixo, ratos e insetos.
Combate ao tráfico
Especialista no tratamento de dependentes químicos, a psiquiatra Maria Thereza Aquino destacou a necessidade de se acabar com os atalhos que levam às bocas de fumo.
"A facilidade de acesso à droga é um poderoso estímulo para que a pessoa comece a fazer uso dela. No caso do crack, o baixo custo e os efeitos alucinógenos provocados acabam escravizando os usuários em pouco tempo", ressalta a especialista, que coordena o Núcleo de Estudos e Pesquisas em Atenção ao Uso de Drogas (Nepad), da Universidade do Estado do Rio (Uerj).
Procurada para comentar a situação nas proximidades da obra do PAC, a Secretaria de Segurança Pública do Rio enviou apenas declarações do comandante do 22º BPM (Maré), coronel Cláudio Oliveira. No texto, ele destaca as recentes operações policiais realizadas na favela de Manguinhos, e promete intensificar os trabalhos de combate ao tráfico de drogas na região.

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