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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Operação prende 13 de milícia liderada por delegado da PF no RJ

Uma operação da polícia do Rio de Janeiro desarticula nesta quarta-feira uma milícia responsável por diversos crimes na área da Taquara, em Jacarepaguá. Até as 12h, 13 pessoas haviam sido presas e duas armas apreendidas. Comandada por Luiz Carlos Silva, um delegado aposentado da Polícia Federal, Eduardo Lopes Moreira, comissário de Polícia Civil, e Thiago Rodrigues Pacheco, um policial militar, a milícia ainda contava com integrantes da Aeronáutica e da Guarda Municipal.
Ao todo, 16 pessoas foram denunciadas por formação de quadrilha armada para a prática de crime hediondo e tiveram prisão preventiva decretada. O bando, segundo o inquérito policial, atuava desde 1998 na região de Taquara, zona oeste do Rio. Até as 11h20, 13 mandados haviam sido cumpridos. Na operação, um indivíduo foi flagrado vestindo um uniforme do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope). A polícia ainda investiga a participação dele na milícia.
Segundo o Ministério Público, a milícia cobrava taxas por serviços de segurança clandestinos, conservação de ruas, sinal de internet e TV a cabo, água encanada e transporte clandestino. O grupo também tinha o monopólio da venda de cestas básicas e botijões de gás, além de controlar estabelecimentos que exploravam jogos de azar. O inquérito também cita a prática de homicídio qualificado, crimes ambientais, agiotagem, tráfico de influência, parcelamento irregular de solo urbano, entre outros.
"Desde o período de atuação da milícia, identificamos vários homicídios. Muitos deles ainda estão sendo apurados, mas se pode notar que estamos tratando de uma milícia muito perigosa", afirmou o delegado titular da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE), Alexandre Capote. Os criminosos ainda são acusados de praticar crimes similares ao de grilagem, tomando para si e, em seguida, comercializando terrenos e imóveis de pessoas que executavam ou que saíam da região.
O grupo, de acordo com o delegado, arrecadava cerca de R$ 200 mil por mês. A "taxa de segurança" cobrada pelo grupo era de R$ 35 por residência. De acordo com as investigações, os milicianos se valiam de funções exercidas dentro das forças de segurança para influenciar investigações e evitar a repressão do 18º Batalhão da PM.
Organização como a de uma empresa
De acordo com o delegado Capote, a quadrilha tinha atuação similar à de uma empresa. "Dentro das atribuições estava a de desmoralizar pessoas que enfrentavam a milícia". As investigações apontaram que os milicianos costumavam apresentar falsas denúncias nas delegacias locais contra pessoas que resistiam à atuação do grupo. "Essa milícia realizava registros de ocorrência na delegacia da área para desviar possíveis delatores", afirmou o subsecretário de inteligência, Fábio Galvão.
O grupo ostentava também um slogan com as palavras "humildade, simplicidade e justiça". As iniciais do soldado da PM Thiago Pacheco (TP) também eram usadas como símbolo da milícia. Segundo o delegado da Draco, o delegado aposentado da PF tinha papel determinante na coordenação das reuniões que ocorriam com frequência em seu sítio e na definição das taxas cobradas junto aos moradores.
O comissário de polícia civil coordenava as ações de segurança e atuava como "justiceiro" ou "matador". "Era ele o responsável por decidir quem seria ou não executado", afirma Capote. Já Thiago Pacheco efetuava a cobrança junto aos moradores, de acordo com o delegado. 

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